Como a cultura do endividamento impacta a vida financeira dos brasileiros

Em levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em julho deste ano, 71,4% das famílias brasileiras relataram ter dívidas, sendo este o maior percentual desde 2010. É por meio de dados como esse que percebemos como a cultura do endividamento está presente na realidade das pessoas.

Existem diversos fatores que levam uma pessoa a se endividar, como falta de educação financeira, salário estagnado, desemprego, juros altos, entre outros. Além disso, existem dois caminhos para “sujar o nome”: o de imprevistos, quando algo precisa ser resolvido no exato momento, e o consumismo, que leva a maioria dos brasileiros às compras.

“O super endividamento é multifatorial, tem a ver com valores e crenças. Grande parte da população recebe um salário muito pequeno, então, muitas vezes o parcelamento é a única maneira que algumas pessoas tem de conseguir um bem”. Valéria Maria Meirelles, doutora em psicologia clínica com ênfase em psicologia do dinheiro.

Estabelecer prioridades e ter consciência dos motivos que o levam a consumir são dois fatores fundamentais para ficar livre das dívidas (foto: Reprodução)

Como resolver o endividamento

O primeiro caminho que leva ao endividamento são os imprevistos, ou seja, dívidas que precisam ser feitas para sanar uma emergência, como, por exemplo, o gás que acabou ou as compras de supermercado que precisam ser feitas.

Mas como se resolve isso? Não é fácil! É uma questão de planejamento, e planejamento envolve tempo. Se você ganha um salário pequeno e o dinheiro simplesmente não sobra, não existe uma receita de bolo para fazer sobrar dinheiro de um dia para o outro, mas podemos incluir uma “listinha para você refletir e colocar em prática para iniciar sua jornada de fechar o mês no “azul” ou até economizar:

Dicas

  • Analise suas contas

Coloque no papel o quanto ganha e o quanto gasta. Certamente tem despesas que podem ser cortadas ou repensadas. Analise friamente quando for adquirir um bem ou serviço. Pense no que é supérfluo e risque do seu orçamento.

Isso vale para comida fora de casa, roupas e sapatos e itens que se mostram desnecessários no decorrer de um curto espaço de tempo. O hábito de colocar no papel faz você pensar melhor onde seu dinheiro está sendo gasto, o quanto ainda tem disponível e se ainda pode ou não gastar.

  • Mesmo assim o dinheiro tá curto e não sobra para nada?

Analise a situação e veja se há possibilidade de pedir um aumento no trabalho. Nesse momento, o cenário não está muito bom para isso, mas tudo depende da sua situação. Analise se você é realmente um profissional dedicado, trabalha há muito tempo, nunca recebeu um mérito etc. Talvez valha a pena tentar.

Caso essa não seja a situação, talvez o melhor seja buscar outra colocação. Enquanto isso, vá estudando e se especializando cada vez mais. Leia livros na sua área de atuação, busque estar perto ou procurar ajuda de pessoas que possam te indicar, faça o chamado networking. E demonstre aos amigos e conhecidos que está disponível para buscar outros desafios. Pense até mesmo em fazer uma renda extra, vender algum produto. Pense em suas habilidades e coloque em prática para vender aquilo que você tem de melhor. Quem sabe você não vira um microempresário?

  • Crie uma reserva de emergência

Depois de conseguir deixar seu orçamento em dia, é hora de pensar em uma reserva de emergência, um dinheiro poupado para imprevistos. Alguns especialistas apontam que o ideal seria guardar 30% do salário para esse fim, mas para muitos isso não é possível, por isso é importante adaptar esse tipo de planejamento à sua realidade financeira. De acordo com uma pesquisa realizada em março de 2020 pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 52,1% dos brasileiros não possuem uma reserva de emergência.

O consumismo e o endividamento

Para conseguir ficar no “azul”, é preciso lembrar que o consumismo existe e está a todo momento nos instigando a comprar. A mídia influencia o consumo na televisão, no celular, na rua, nos elevadores, no metrô e em todos os momentos nos vemos mergulhados em propagandas nos instigando a comprar cada vez mais.

As consequências são a aquisição de dívidas, problemas emocionais e de rendimento no trabalho e outras inúmeras situações que nos levam a ficar preocupados e não produzir o quanto gostaríamos no dia a dia.

Para combater esse ciclo, é necessário sempre fazer um exercício básico, o de reflexão. Antes de toda e qualquer compra, faça algumas perguntas:

Eu realmente quero isso?
Eu realmente preciso disso? 
Eu posso comprar nesse momento?
Em quanto tempo consigo finalizar esse pagamento? 
Eu consigo esperar um pouco mais para essa compra? 

Prioridades

São questionamentos que podem parecer simples, mas que norteiam os seus interesses. Colocar no papel prioridades a curto, médio e longo prazo também é uma dinâmica necessária para realizar compras conscientes. “Deve-se concretizar o que se quer, dar um nome aos desejos, como um processo de autoavaliação, olhando a si mesmo”, recomenda Valéria.

Comprar não é errado, desde que se tenha consciência do motivo que o leva a comprar. É necessário entender os desejos e avaliar se são genuínos ou se foram impostos pela cultura do endividamento atrelada a um consumo inconsciente.

Vamos fazer um acordo? A Black Friday está pertinho. Faça essas reflexões e não caia em armadilhas. Depois você me conta se deu certo? Combinado?

Colaboração: Ana Marsiglia

Texto: Andréa Tavares

Andréa Tavares é diretora de Comunicação e Marketing e membro do Conselho Científico da Multiplicando Sonhos. É entusiasta da Psicologia Econômica e acredita na transformação por meio da Educação Financeira.

Saiba mais

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